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9 de mai de 2010

No garimpo...

 Nascer do sol, em Fortaleza.

Fotografia: Marli Reis

 

O PLENO E O VAZIO

Carlos Drummond de Andrade

Oh se me lembro e quanto./ E se não me lembrasse?/ Outra seria minh'alma,/ bem diversa minha face./

Oh como esqueço e quanto./ E se não esquecesse?/ Seria homem-espanto,/ ambulando sem cabeça./

Oh como esqueço e lembro,/ como lembro e esqueço/ em correntezas iguais/ e simultâneos enlaces./ Mas como posso, no fim,/ recompor os meus disfarces?/

Que caixa esquisita guarda/ em mim sua névoa e cinza,/ seu patrimônio de chamas,/ enquanto a vida confere/ seu limite, e cada hora/ é uma hora devida/ no balanço da memória/ que chora e que ri, partida?

Fonte: do livro Corpo, 2ª ed, 1984 - meu querido livro!-)

Biografia sucinta: Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro.(...)Drummond, como os modernistas, proclama a liberdade das palavras, uma libertação do idioma que autoriza modelação poética à margem das convenções usuais. Segue a libertação proposta por Mário de Andrade; com a instituição do verso livre, acentua-se a libertação do ritmo, mostrando que este não depende de um metro fixo (impulso rítmico). Se dividirmos o Modernismo numa corrente mais lírica e subjetiva e outra mais objetiva e concreta, Drummond faria parte da segunda, ao lado do próprio Mário de Andrade.
(Fonte: WIKIPÉDIA)

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