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20 de jun de 2010

No garimpo...


 Aratuba/Ce
Fotografia: Marli Reis

Quem é você realmente, viajante?

Todas as tradições têm seus místicos e todas as práticas sinceras podem levar à revelação da unidade.
(...)
Há uma história sobre um eremita taoísta que transmite com humor a verdade da unidade. Uma delegação formal do templo confuciano resolveu visitar esse eremita e pedir seu conselho . Chegando sem aviso à sua cabana, ficaram escandalizados ao vê-lo totalmente nu. "Por que está meditando na sua cabana sem as calças?", perguntaram. "O mundo inteiro é minha cabana", disse ele. "Minhas calças são esta sala. Eu é que quero saber o que vocês estão fazendo nas minhas calças."
(...)
O mundo é a nossa cabana. Sabemos que dividimos o ar que respiramos com os carvalhos e pinheiros das florestas, que a água que bebemos desce das nuvens, em forma de chuva, antes de entrar em nossas células. Tudo que somos ou possuímos é um presente que nos foi dado pela totalidade da qual viemos e para a qual voltamos. A mente e o corpo não são separados. Graças à compaixão natural e ao senso de justiça que os vislumbres da unidade despertam, começamos a tratar as outras partes de nós mesmos - tudo o que existe - com sabedoria. Despertando para unidade, descobrimos que temos o mesmo sobrenome das montanhas, dos córregos e das sequóias (sequoias).

Jack Kornfield, do livro Depois do êxtase, lave a roupa suja/ como o coração fica mais sábio no caminho espiritual, capítulo 6.

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Uma releitura feita por mim nesse domingo em tempos de Copa do Mundo. E por falar nisso, minha bandeira balança lindamente na varanda! Abraços a todos que passam por aqui!
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6 de jun de 2010

No garimpo...

Para Aratuba/Ce
Fotografia: Marli Reis

 As Duas Flores


Castro Alves

São duas flores unidas,
são duas rosas nascidas
talvez no mesmo arrebol,
vivendo no mesmo galho,
da mesma gota de orvalho,
do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas,
das duas asas pequenas
de um passarinho do céu...
como um casal de rolinhas,
como a tribo de andorinhas,
da tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,
que em parelha descem tantos
das profundezas do olhar...
como o suspiro e o desgosto,
como as covinhas do rosto,
como as estrelas do mar.
Unidas... Ai! Quem pudera
numa eterna primavera
viver, qual vive esta flor:
juntar as rosas da vida
na rama verde e florida,
na verde rama do amor!
"Antônio Castro Alves - Um dos maiores poetas braileiros, nasceu em Curralinho, Estado da Bahia, a 14 de março de 1847 e morreu a 6 de julho de 1871, (...) genial poeta romântico do Brasil." (Fonte: Livro de Maximiano A. Gonçalves, Língua Pátria, 31ª ed, 1965)